Caminhando

estrada

Estava caminhando numa estrada em meio a uma mata. Era estreita, de chão batido, com  imensas árvores quase fechando a estrada. Apesar das sombras da mata, o sol ardia nas costas de tão quente que estava.  Alguns passantes encontravam-se,   mas  mal olhavam-se, ou nem sequer se apercebiam uns dos outros, todos silenciosos e cabisbaixos. Absortos em seus pensamentos.

 Andava ao meu lado uma mulher que me alcançou no caminho e compartilhamos juntas as caminhadas silenciosamente. Sem questionarmos quem era quem. Simplesmente caminhando vagarosamente, sem saber onde aquela estrada iria dar.

Num repente,  passou uma condução motorizada, que não sei definir qual o tipo deste carro. Meio aberto e com pouco espaço, totalmente diferente dos automóveis convencionais. Fiz sinal para conseguir uma carona, pois já estava me esvaindo de cansaço e com muita sede. O carro parou, percebi que havia um casal sentado nos bancos da frente. Então mandaram que nós subíssemos uma de cada lado para equilibrar o peso.  Eu subi e me segurei nos ferros que havia ao lado, enquanto  que a mulher que subiu comigo  acabou caindo no chão. Eles não se importaram e tocaram adiante sem olhar para trás.  A mulher ficou na beira da estrada.

Eu aceitei a carona sem saber para onde eles iriam. Não me importava. Não tinha destino certo. Apenas estava caminhando para chegar a  algum lugar.

Foi então que chegamos num lugar bem atípico. Poucas casas e com um volume de água fora do normal nos arredores das casas. Tanto que a maioria das residências eram barcas. E as pessoas moravam nas galés destes. Eram barcos grandes e daqueles bem antigos. Outro fato extremamente curioso,  eram as diferentes etnias que viviam  naquele lugar. Achei muito estranho, falavam idiomas diferentes e suas fisionomias bem diversificadas umas das outras.

Nesse momento chegou um homem, era como se ele fosse um guardião daquele lugar. Falou em alta voz para o casal: Os volumes das águas estão acima do normal, tem algo de errado. Temos que averiguar qual é causa disto.

 Ordenou para eles e algumas pessoas se juntaram e saíram para verificar.

Neste meio tempo chegou um barco não muito grande, com diferentes pessoas de vários lugares e queriam se instalar ali.

Imediatamente alguém sinalizou para o guardião do lugar, era o governante. E este ordenou que levassem água e comida para aquelas pessoas que estavam alojadas nas galés.  Logo em seguida ele foi ao encontro do grupo para verificar o volume de pessoas que haviam chegado.

Foi logo dizendo: Impossível à permanência de quem quer que seja neste lugar. Em virtude de que a lotação já está no limite. Tanto que a causa das águas subirem tanto é porque está elevado demais o  número de pessoas na cidade. E a produtividade está abaixo do necessário à sustentabilidade dela.

O desespero foi grande, pois não tinham mais para onde ir. Já haviam passado por inúmeros lugares e a rejeição novamente estava acontecendo.

 Foi então que,  inesperadamente,  eles começaram a falar e a dizer por que estavam ali e que tinham poucos dotes, mas, possuíam várias habilidades e que muito contribuiriam para o desenvolvimento daquele lugar. Caso o Governante permitisse a estadia deles ali.

Assim foram tirando de suas poucas bagagens, alguns utensílios  e demostrando o que sabiam fazer. Uma família de dançarinos, uma cozinheira que sabia fazer verdadeiras especiarias na culinária. Um senhor com uma longa barba  trazia vários cachorrinhos de raças diferentes, um casal de médicos com  muda de plantas medicinais e que tinham a sabedoria de produzir os remédios, um casal de mestres nas letras, e assim por diante. Cada um com suas habilidades e sabedorias específicas em alguma coisa. Que muito iria contribuir para melhorar as condições de vida da população.

Diante disso, o guardião ficou tão encantado com a profissionalização deles, que não teve outro jeito, senão aceitá-los.

Eu como estava só observando e receosa de que também pudessem me expulsar dali, lembrei que sabia cuidar muito bem de crianças. Prontifiquei-me para cuidar delas enquanto os pais trabalhavam. E fui logo montando um lugar bem aconchegante para elas.

Foi então que valorizei o quanto é importante aprender algo e que nos aperfeiçoemos em alguma atividade que possa contribuir para o bem coletivo e também para garantir que asseguremos um lugar para viver em harmonia com outras pessoas.

  

 

                                                                                                                                    Produção: Miriam Carmignan

 

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