Trilha do bem

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Nas guerras frias, quando as perseveranças são confusas

Os ataques nas batalhas da vida divergem e você sente

Obstáculos momentâneos paralisam as ações emergentes

Adentram nos invólucros corpóreos e vão ficando difusas.

 

O corpo lentamente se fechando na escuridão do clausuro

Prisões sem grades e algemas que ficam inertes e a debalde

Fascinante o existir, incógnitos desígnios, ficamos arrabalde

Crenças e regras se difundem na essência do ser obscuro…

 

Sonâmbulos ou determinados, ondulosos são os horizontes

Numa noite sem estrelas, num amanhecer ou na tarde calma

Incrédulas as desesperanças, altaneiros são os belos montes.

 

Brandos véus quando seguimos os caminhos do bem, avultam…

Bem-aventuranças nas sinfonias silenciosas, inspiram as almas

No fulgor das existências a comunhão dos peregrinos exultam.

 

 

 

Texto: Miriam Carmignan

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Viver o momento

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Silenciando, eu acalmo a minha mente

Divago pelas verdes e belas paisagens

Vivenciando o momento, estou presente

E nas vivências , com você crio coragem.

 

Aponto para os pássaros no alto que voam

As flores cálidas e camufladas nos galhos

As araras nas árvores, que vão e ressoam

Abrilhantam o céu com os seus chocalhos.

 

Esplêndidos os espetáculos no firmamento

Minuciosas indagações, pelas profanas cegueiras

Exteriorizo nos afagos com discernimento.

 

Redemoinhos de flagelos momentâneos

Debalde as insanas nuvens que geram iras

Regozijo de acalentos contemporâneos.

 

 

 

 

Texto e imagem: Miriam Carmignan

O delírio do grilo

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No silencio da noite o danado do grilo grita, mas ele grita…

Sei que seu cantar é para atrair alguém, mas não eu: me irrita!

Tento abafar o som do estridente cricrilar para poder dormir

Não me deixa usufruir: Entra em meu ouvido e me faz ouvir!

 

Começo a vasculhar por todas as partes da casa e pelos cantos

Não sei onde ele se embrenhou, já procurei em lugares tantos

Tentando encontrar o grilo cantante, parece que está delirante!

Não sei se vem de dentro ou de fora: é um barulho tão irritante.

 

Sei de suas predileções para as noites: camuflam seus predadores

Encantam as fêmeas com seus cantares para o acasalar e amores

Mas grilo gritante! Eu preciso dormir e com seu canto de encanto!

Só o grilo fêmea vai poder sentir e deixar todos nós, sem prantos…

 

Resolvi então meditar com o seu cantar como uma melodiosa brisa

Acalento o meu furor, aprecio o mavioso canto que muito me intriga

No amanhecer, achei o minúsculo bichinho escondidinho num sofá

Juntei o danado e coloquei para fora. Não vai mais cricrilar por cá…

 

 

 

Texto: Miriam Carmignan

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Reclusão involuntária

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É um processo doloroso, mas momentaneamente necessário

Mudanças de hábitos emergentes com alguns planejamentos

Acatar, investigar as fontes verdadeiras, refletir e se adequar.

 

Não desafiar o que não podemos ver, não é ilusão é real, temerário

Pode afetar qualquer um de nós, somos hospedeiros, conforme os ventos

Nem todos vão entender a gravidade e ter as condições para se cuidar.

 

Mas, existem fontes seguras onde podemos nos ancorar e pedir ajuda

A vida é preciosa para todos, então vamos tentar priorizar o mais relevante

Viver debaixo de um teto, com saúde e comida na mesa, sem menosprezar ninguém, se precisar, vamos compartilhar…

 

Quem quer que seja, se tiver que compartilhar, abra seu coração, acuda…

Seja do jeito que for, qualquer gesto de amor, será um bálsamo reconfortante

Neste momento presente, temos que repensar, cuidar sem ocultar.

 

 

Texto: Miriam Carmignan

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Divina graça

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Sensibilidade que punge e cristaliza na divina graça

Na expressão de tua boca vaporosas palavras fluem

Veemência louca nas secretas carícias que evoluem

Suavíssimos bálsamos que imperam e te ultrapassas…

 

Num floral e gracioso toque, perfumas onde passas

Indefinidos os labirintos num verdadeiro reflorescer

Dos calvários e brilhos flamejantes, sem esmorecer…

Adora a vida, teus dons, vagarosamente os ressaltas.

 

Cândida doçura, e lívido aprecia o horizonte infinito…

Fulgindo a alma, astro luz que aquece em dias frios

Proíbe o abandono dormente, sem mais os grunhidos.

 

Divino agradecer, sinfônico, harmônico, muito bonito!

Por graças recebidas, vivendo com diferentes calafrios

Altos e baixos, assim é viver, às vezes alguns gemidos.

 

 

Texto: Miriam Carmignan

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O teu pulsar

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O som do teu pulsar invade serenamente todo meu ser

Como os ninhos desfeitos nas impetuosas tempestades

Amanhece o dia nas florestas, nos montes e nas cidades

Revendo meus conceitos tento voltar, reciclar e refazer.

 

Como as aves que não desistem, muito pelo contrário:

Retomam e com seus instintos são amorosas e delicadas

Fio por fio, elas recompõem os seus ninhos, se afetados

Indescritíveis movimentos nas reconstruções, relicários…

 

Sorrio com lágrimas nos olhos, sinto o cheiro do alvorecer

No caminhar divago em devaneios, minha mente presente

Um pulsar envolvido nos momentos com sentimentos reais.

 

Encantos apaixonados, sonhos que se desfazem no escurecer

Todos se recolhem, sem piares, silenciosos pulsares presentes…

Andarilhos procuram, pulsam os corações nos intensos areais.

 

 

Texto e imagem Miriam Carmignan

 

 

 

 

 

Você não sabe quem eu sou, nem você quem sou eu…

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Somos o que somos, vulneráveis…

Independentemente do que sabemos

Nossas escolas e culturas, só nós sabemos onde nascemos

Somos o que somos…

 

Seres previsíveis e ou invisíveis…

Diante de circunstâncias catastróficas, nada somos…

Apenas mais um.

 

Que vai viver ou morrer

Quem sabe?

Apenas mais um.

 

 

Texto e imagem: Miriam Carmignan