Sinais

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Impossível de se equilibrar num barco quando todos se balançam

Entram em pânico, gritos, gemidos, lágrimas, total desesperança

Nas acusações, jogam-se todos para o mesmo lado, sem contrabalança.

O barco afundando e ninguém consegue enxergar a saída, e se lançam.

 

Numa lenta inércia, adormecem nos eternos e viciosos sofrimentos

Ninguém, e nada mais os impulsionam para uma reação de sobrevivências  

Nos ultrajes superficiais, se revoltam em negações das suas ineficiências.  

Subestimam a energia vital, enquanto que as forças submergem do infinito.

 

O medo reprime a coragem, nocauteando as forças dos guerreiros

Que sabem o que fazer, mas a inóspita erva daninha, danifica a linhagem

Jogam o barco ao léu, sem remos para alcançar à beirada de uma margem

E refugiam-se no aconchego e calmaria da terra firme sem tantos aguaceiros.

 

Quando estamos numa tempestade e os obstáculos parecem infinitos

Silencia cautelosamente seus medos refletindo-se no espelho, tenta ver os sinais

Os remos estão dentro de nós. Só que nosso inconsciente não gosta dos temporais

Tolerâncias nas intolerâncias existenciais recompõem os barcos em conflitos.

 

Produção texto e fotografia: Miriam Carmignan

 

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Sorriso lindo!

sorisso

Quando vejo teu belo sorriso

Imagino-te feliz em conforto pleno

Sei que distantes estás, contigo…

Num refúgio belo e sereno.

 

Distancies-te-de de nós

Para silenciar tua mente

Num aconchego a sós

Calma e serenamente.

 

Com almas semelhantes a ti

Reconfortos momentâneos

Ao ver-te assim, menti

Sentimentos contemporâneos

 

Das circunstâncias profanas

Contemporizando apelos, afagam

Das eras que foram soberanas

Sutis sorrisos em breve apagam.

 

 

Produção texto: Miriam Carmignan 

 

 

Somos diferentes…

caras

Ainda bem!

Onde estariam os desafios? As evoluções? Os crescimentos? As competições?

Querendo ou não, as apreciações diferentes potencializam buscar com mais aproveitamentos.

Os desafios superam obstáculos e transformam os seres diante das contradições…

Imaginem! Todos apreciando, e, ou, depreciando as mesmas coisas e pessoas, com os mesmos desejos e comportamentos…

 

Sem graça nenhuma…

Nas diferentes situações da vida, vislumbramos novos horizontes com mais equilíbrio, onde creio que elas proporcionam as evoluções…

As competições impulsionam para os aperfeiçoamentos e exercitam o ser nas frustrações…

Nas volições há a liberdade de ação individual, determinando as nossas escolhas.

 

Bailam pela vida placidamente, em meio aos universos diferentes e com as infinitas possibilidades…

Proporcionam habilidades nas formas de ver e sentir as cores e os aromas com mais diversidades

Renovando – se constantemente como as águas dos rios que correm nas sombras verdes das folhas.

 

 

 

Produção texto: Miriam Carmignan

 

 

 

Interpretações dúbias

pescador

Colhendo atitudes comportamentais que bateram de frente comigo…

Andando, mansamente, por um belíssimo lugar próximo ao mar,

Observo… Abutres e gaivotas se alimentando deliciosamente com restos de peixes

 

Inacreditáveis são esses momentos de euforia, presenciar a harmonia entre as aves tão distintas.

Os abutres purificando o ar e as gaivotas levando o alimento para seus filhotes… Belíssimo!

Dividiam seu manjar juntas e tranquilamente, no calor do sol que brilhava sobre as águas.

 

Como era uma significativa quantidade de peixes, fiquei imaginando várias alternativas… Exaltando-me e feliz pela visão tão sublime, pergunto para o ilustre e jovem pescador:

Vocês que jogaram esses alimentos para as aves?

Pois ali estava ele, arrumando sua rede arrebentada e bem próxima, alguns barcos e outros pescadores.

Um cenário e uma atitude muito bonita e digna para ser compartilhada!

 

Ele, enfurecido e bruscamente, revidou: Vocês, não! Algum pescador irresponsável fez isso! Minha rede não pesca esse tipo de peixe…

Interpretou muito mal meu questionamento: Lançando-me muitas palavras de agouro

Palavras ditas e mal interpretadas por outrem. Revidadas com euforia que ferem aos ditames… Enquanto isso, outros pescadores sempre solícitos e simpáticos.

 

Produção texto: Miriam Carmignan

Vivenciar transforma

fogo

Incontáveis vezes nos deparamos com situações espinhosas

Que inesperadamente nos atingem, como as chamas venenosas

Elas caem, incendeiam e ferem. Degradamo-nos, ou evoluímos!

Contradições e conflitos que exigem reflexões para digerirmos.

 

Nem sempre aceitamos serem oportunos os raios nas tempestades

Que podem cair em quaisquer lugares atraídos pela bioeletricidade

Nesses momentos assim é que despontam as fagulhas adormecidas

Evocando forças que na escuridão estavam atrofiadas e endurecidas.

 

Como se o sol nunca mais fosse brilhar para secarem nossas lágrimas

Aliviar o peso das roupas molhadas que ficam grudando e aspérrimas

Mesmo estando enlameados ou pedregosos os trajetos já percorridos

Enfrentar os obstáculos quando aparecem, oportunamente socorridos.

 

Vivendo com os seres por um longo tempo, nos é permitido vivenciar

Se algum desafio veio até nós é porque atraímos e podemos gerenciar

Ativar o poder, sentir, confrontar, estabelecer mais limites e tolerâncias

Somente no experimento se testam o nível de superação e ganâncias.

 

 

Produção texto: Miriam Carmignan

Espumas brancas

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No oceano revolto, numa noite bela e clara de lua cheia

As ondas se agigantam e rebentam na beira do mar

Despertam os sentidos dos transeuntes que vagueiam…

Lentamente caminham ao som e se transpõem devagar.

 

A força das águas que batem fortemente e espumam

Formando bolhas que vão dissipando pelas beiradas

Destroem belos castelos de areia, navegam e flutuam

Sonoros ventos sopram, como as aves em disparadas.

 

Volumosas águas dormitando no leito, que vão e voltam

Margeando pelo infinito do céu, redefinindo suas cores

Barcos balançando na superfície, desafiando sua força.

 

Enorme cardume de peixes! Sobre as águas volitam!  

Pescadores jogam as redes e se aninham nos bastidores

Brilhando o sol nas espumas brancas, a beleza reforça…

 

 

Produção texto: Miriam Carmignan

 

 

Intransponíveis

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Intransponíveis são as montanhas brancas de areias

Que, inúmeras vezes, depara-se com essas barreiras

Deseja transpô-las, mas afunda seus delicados pés 

Nos montes deslizantes sem escoras, vai pé ante pé.

 

Retorna ao ponto de partida, vislumbra uma clareira

Contrapõe-se num claro carreiro que provoca cegueira

Com acessibilidade pertinente aos incautos precavidos  

Aguilhoada e aturdida vai tecendo os desafios atrevidos.

 

Enfrenta os obstáculos momentâneos e enaltece a vida

Estrada arenosa e deserta continua forte e destemida

Convicta silenciosamente pelas névoas transpõe, e vai

Expande os temores confiando na terra mãe. Apaziguai!    

 

 

Produção texto: Miriam Carmignan